segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Solidão amiga do peito...

Serenou

Serenou mansinho, coração apertado.
Tava um vazio lindo, desses de dar dó.
E eu já quase sereno, querendo e querendo
Ter você aqui fora comigo do lado de dentro.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

MEMORABILIA

um velho e um moço
sentados numa esquina
pensando em suas vidas
ressaltando suas glórias
do tempo da guerra
do tempo da escola
e uma cigarra zunindo
um zumbido esquisito
que interrompe a batalha
e distrai os sentidos
perceber o invisível
tem dado sentido às coisas

quarta-feira, 6 de maio de 2009

06/05/2009, 17:28h

Pra viver com plenitude, é preciso que haja fome.
E é preciso saciar a fome. 
E ter fome de novo.
E estar cansado demais pra abrir um livro.
E abrir o livro.
E não querer mais fechar sem lamber mais uma página.
E saber que som alto ensurdece.
E ouvir tudo ao mesmo tempo.
E perceber o que ouve, alto e bom som.
E querer tirar uma foto.
E não gostar da foto. 
E tirar outra foto até que a beleza cesse.
E achar que conhece tudo.
E buscar cada vez mais até perceber que conhece pouco.
E inventar uma gíria, ainda que só você utilize.
E cometer algum excesso. 
E dizer nunca mais.
E cometer tal excesso novamente.
E achar que nunca será feliz. 
E ser feliz até quando não precisa.
E gostar do que ninguém gosta.
E gostar do mesmo que os outros.
E achar que ninguém te compreende.
E achar que fazer sentido é um absurdo. 
E pensar nos pormenores.
E não reparar no cabelo da amada.
E fazer corda trançando papel. 
E perceber que papel não é tão frágil.
E pensar no mundo, não por favor, mas por dever.
E pensar nos seus pais.
E pensar nos seus filhos.
E pensar nos irmão.
E pensar nos inimigos.
E pensar em querer todos por perto.
E pensar em não magoar.
E magoar só pra se sentir melhor.
E pensar em viver, antes de pensar em morrer.
E pensar em não perder tempo pensando tanto.
E achar que já fez muito. 
E, aos cinquenta, perceber que ainda há muito há fazer.
E aos vinte e cinco não querer fazer nada.
E falar mal do BBB.
E assistir à reprise do Chaves.
E falar mal do governo.
E falar mal da policia.
E falar mal dos "US and A".
E ter gato de luz (então, quem rouba mesmo?).
E falar mal de funk.
E falar mal de axé. 
E dançar essa porra toda no carnaval. 
E se sentir bem.
E se sentir mal. 
E saber que tudo isso é passageiro.
Mesmo a vida. 
E, percebendo isso, querer viver com urgência.



Marcelino Seca-Floresta

Quando garoto, costumava correr como sandeu. Pernas maiores que a de qualquer miúdo de mesma idade. Os braços se moviam de forma descompassada; não estavam de acordo com o resto do corpo. Zombavam de mim e a culpa, minha. Afinal, não é risível um potro sem modos locomovendo-se a duas patas?
Samanta, amiga de infância (aliás, a única amizade for a lifetime), insiste em lembrar episódios dos quais dou de ombros. A vez em que roubaram meus tênis, doze, catorze anos, corre potro, corre. Recentemente descobri um certo Gump. A menos ele enriqueceu. Em outra circuntância, me prepararam uma placa com a inscrição cuidado: pernas trocadas.
Éramos muito pobres; portanto, não havia dinheiro a subtrair-me. Subtraíram-me, porém, a alegria. 



*Neste ponto, abandonei o conto acima.  A personagem central foi concebida inacabada, imperfeita (por Deus e por mim). Deixo aqui, a quem interessar, se interessar, permissão para acabar tal obra inacabada. Esteja a vontade. Pode alterar o título, mexer nas palavras ou em todo o texto. Minha obra não me pertence. Está descartado.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Olhando para o varal (de dentro do açúde)

Vejo o mundo sob várias perspectivas. Todas incompletas enquanto plenas. E na falta de plenitude encontro o melhor ângulo, a mais bela foto. 
Onde começa o céu? 
Quilômetros? Metros? 
Dois palmos acima me bastam pra que eu toque o pensamento etéreo.
Não busco verdade absoluta, tampouco respostas diretas.
Quero divergências, discussões, pancadas na mesa que derramam a cerveja não tão gelada.

Toda totalidade é burra, disseram. Sou burro, mas não por inteiro.

Por quê opinar sobre a alma, intangível? 
Mas e o corpo, débil, frágil?
O mundo não é dual. Descartes estava errado. 

Entre o bem e o mal, fico com os dois.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

amiga Dolores sob (re)construção.